Tomo I - O Baile de Sceaux

 

Château de Sceaux imagem retirada de https://en.wikipedia.org/wiki/Château_de_Sceaux acessado em 29/11/2020

O Baile de Sceaux (em francês Le Bal de Sceaux) é o texto mais antigo da Comédia Humana.  A primeira edição foi publicada em 1830, sendo publicada novamente em 1835 e 1839 em outras edições. Faz parte das Cenas da Vida Privada dos Estudos de Costumes. Na edição da editora Globo, sob o selo Biblioteca Azul, organizada pelo Paulo Rónai, é a segunda novela, seguindo, genialmente, Ao "Chat-Qui-Pelote". Enquanto nesta a protagonista Augustine larga tudo para se entregar a uma paixão, naquela a jovem Emília não se deixa levar por histórias de amor e decide que só se casará com alguém de sangue nobre, um "par da França". Duas protagonistas com visões e objetivos muito diferentes mas que possuem destinos bem parecidos. 

Como bem explicita o Paulo Rónai na introdução à novela, assim como em Ao "Chat-Qui-Pelote", O Baile de Sceaux tem um início lento como um romance e um final abrupto e corrido. Porém, lendo as duas histórias é possível notar que O Baile de Sceaux tem um final bem menos corrido que a novela anterior, possuindo uma conclusão menos desesperada.


Imagem de Emília retirada de https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k116914q/f311.item.r=bal+sceaux.langES.zoom acessado em 29/11/2020

No início temos uma apresentação do Conde de Fontaine e da sua história com a monarquia francesa bem como a sua relação com a própria família, principalmente com a filha mais nova, Emília. O conde fez tudo o que pode para dar um bom casamento para às suas três filhas, sendo que o conseguiu com as 2 primeiras, restando apenas Emília, a mais jovem e graciosa, que também é muito dona de si, chegando, no livro, a ser chamada de mimada por ser inflexível quando decide algo. 

"O sr de Fontaine descobriu, demasiado tarde, o quanto fora falseada pela ternura de toda a família a educação que dera à filha a quem mais amava. A admiração que a sociedade tributa a princípio a uma pessoa moça, mas da qual não tarda a vingar-se, exaltara ainda mais o orgulho de Emília, e aumentara a sua confiança em si mesma. Uma condescendência geral desenvolvera nela o egoísmo natural das crianças mimadas [...] ".

Desde a sua introdução tem-se informado que Emília quer casar-se com alguém de sangue real, um "par da França", e rejeita todo e qualquer pretendente que lhe é apresentado, por melhor que ele seja.

Mapa com localização da cidade de Sceaux e da Rue Saint-Denis em Paris, local onde se passa a história da novela Ao "Chat-Qui-Pelote". A distância entre os dois locais é de cerca de 16km segundo o Google Maps. 

Em certo momento da história a jovem Emília e sua família viajam para alguns lugares nos arredores de Paris. Um desses lugares se encontra próximo à cidade de Sceaux, na qual acontece um baile muito famoso, O Baile de Sceaux que dá nome à obra. Nesse baile a jovem conhece o intrigante Maximiliano Longueville, por quem se encanta logo que o vê. 

"Como é um pouco duvidoso que a reputação do baile campestre de Sceaux tivesse jamais ultrapassado os limites do departamento do Sena, [...], por sua importância, ameaçava naquela época tornar-se uma instituição."



O baile de Sceaux retirado de https://en.wikipedia.org/wiki/Le_Bal_de_Sceaux#/media/File:BalzacDanceSceaux.jpg acessado em 29/11/2020

Sem saber se Longueville é nobre ou não, a encantadora Emília começa a sua odisseia em busca de uma resposta e, para isso, tem a ajuda do tio, o Conde de Kergarouël, um "vice-almirante, cuja fortuna acabava de ser acrescida de umas 20 mil libras de renda [...], velho septuagenário, com liberdade de dizer duras verdades à sobrinha, pela qual tinha loucura". Depois de 3 meses de namoro, Emília descobre que o Maximiliano trabalha em uma loja de tecidos e foge horrorizada. Após isso os dois nunca mais se falam. Emília fica sabendo que o senhor Longueville é nobre mas abriu mão de sua fortuna em favor do irmão mais velho. 

Ao final tem-se a notícia de que Emília se casou com o tio, o Conde de Kergarouël, a quem detestava. Na última página do livro, 3 anos após os acontecimentos anteriores, fica-se sabendo que Longueville agora é visconde. As mortes do pai e do irmão mais velho "haviam colocado sobre a cabeça de Maximiliano as plumas hereditárias do chapéu do pariato". A heroína, que se apaixonou perdidamente mas deixou o pretendente por causa de outros interesses, agora vê o seu antigo amado sendo tudo aquilo que ela sempre desejou, um nobre. Ela abriu mão da felicidade de um casamento com alguém de que gostava e agora vivia infeliz. 

Enquanto Augustine de Ao "Chat-Qui-Pelote" só queria ser feliz no amor, Emília não tinha o mínimo interesse em viver uma paixão de romance. Tudo que a interessava era ter um nome, era ser nobre, segundo ela mesma descreve seria "insuportável não ver meus brasões pintados sobre os painéis da minha carruagem no meio das pregas flutuantes de uma cortina azul [...]". Ouviu do pai que "a felicidade conjugal não se alicerça tanto sobre qualidades brilhantes e fortuna quanto sobre uma estima recíproca", mas abriu mão disso por causa de interesses próprios. A crença do pai poderia ser tomada como certa se a história não se passasse logo após a tragédia de Augustine. Ao final fica a pergunta: a felicidade conjugal se alicerça em que? 

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