Tomo II - A vendeta

 

Ilustração de La Vendetta, retirado de Meisterdrucke, acessado em 12/01/2026


A vendeta narra a história de Ginevra de Piombo e do seu amor shakesperiano por Luigi Porta, membro de uma família inimiga da sua e único sobrevivente de um ataque feito por Bartolomeu à família dele. Publicado em 1830, tem a Córsega como pano de fundo, principalmente o "rígido conceito de honra que reina entre os corsos", como enfatizado por Paulo Rónai no texto introdutório presente na edição da Biblioteca Azul. Com uma atmosfera misteriosa a novela se inicia, e como uma profecia do apocalipse ela termina. É desgraça pra todos os lados, à la Romeu e Julieta. 


De início há um suspense: duas figuras chegam a Paris acompanhadas de uma criança. O que querem? Para onde vão? De onde vem? As perguntas são logo respondidas: Bartolomeu di Piombo vem da Córsega com sua esposa e filha e procura Napoleão em busca de asilo. O motivo? Bartolomeu matou todos os membros da família Porta, inimigos há muitos anos e com os quais tinha feito as pazes até que assassinam o seu filho Gregório, restando apenas sua esposa e filha que conseguiram fugir. O filho mais novo dos Porta, no entanto, não é dado como morto logo no início. 


15 anos mais tarde acompanhamos a história da jovem Ginevra di Piombo, filha de Bartolomeu que faz aulas em uma escola de pintura comandada pelo professor Servin. Dentro desse ateliê as jovens de famílias ricas iam passar o tempo e aprender arte. Ginevra era melhor estudante, "o mestre manifestava tanta admiração pelo talento quanto pelo caráter daquela aluna favorita", o que causava ciúmes e inveja nas outras alunas. Dentro do ateliê acontecem as narrativas já corriqueiras na obra de Balzac: as relações entre aristocratas, os diálogos e disputas. Apesar de interessantes são muito rápidos, não há tanto desenvolvimento. Algumas outras estudantes são colocadas como as que mais detestam Ginevra, mas poucas linhas são dedicadas a elas. 


Em certo momento Ginevra percebe que há um jovem escondido no ateliê, ajudado por Servin. Esse jovem é Luigi, amigo de Labédoyère, um general de Napoleão. Nesse momento o sobrenome de Luigi não é revelado. Os dois jovens se apaixonam e Ginevra o apresenta a seus pais. Ao descobrirem que o sobrenome de Luigi é Porta, Bartolomeu reprova completamente o casamento e não autoriza a filha, que segue resoluta na sua decisão de se casar. 


Ela é expulsa da casa dos pais e se casa com Luigi. Não recebe nenhuma ajuda do pai e vai morar em um lugar simples. Os dois vivem muito felizes por um tempo, até que caem na mais absoluta miséria. Tudo piora quando Ginevra tem um filho. Já nas cenas finais o seu leite seca, o filho morre de fome e ela morre em seguida. Instantes antes os pais de Ginevra conversam numa sala e decidem perdoá-la, nesse momento Luigi entra pela porta, anuncia a morte da esposa e morre em seguida. 


A novela é rápida e até que não é de todo ruim. Porém a força de Balzac não está presente. O estudo dos costumes é um detalhe rápido, não o foco principal. As relações entre as jovens ricas não são tão trabalhadas, característica até então dominante em narrativas anteriores. Fraco começa e fraco termina, o desfecho trágico não tira a sensação de quase tédio presente na leitura. Melhor partir pra próxima. 

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